É nos bastidores do circo tradicional que o coletivo Musgo monta a tenda de BREU, o seu novo espetáculo, com criação e direção artística de Joana Moraes. No universo do menos amado dos espetáculos de palco, a companhia reconhece uma metáfora que condensa conceitos a serem trabalhados: a precariedade destes artistas, o desdobramento das suas funções, a estigmatização com que frequentemente são vistos, uma profissionalização que lhes é negada. Com base no devising (o processo colaborativo de pesquisa e criação de raiz de material para cena, que o Musgo tem vindo a aprimorar) e inspirando-se em recolhas decorrentes de visitas a circos e conversas com estas trupes multidisciplinares – documentadas em fotografias de Paulo Pimenta a projetar na Sala de Vidro do TeCA –, Joana Moraes ergueu o texto dramático, permeável também a referências do cinema e da fotografia sobre o circo. Entre o lado de lá e de cá da cortina, entre o glamour do espetáculo, as vicissitudes da intimidade e a crueza da realidade, BREU quer assumir uma abordagem tão humanista quanto humorística do que entre eles transita e contamina. Não querendo ser nem realista nem documental, é “um espetáculo sobre precariedade, dedicação e amor”.