O título invoca desde logo a língua e a civilização gregas. Em estreia, com criação de Cátia Pinheiro e José Nunes, fundadores da Estrutura, companhia que privilegia a transdisciplinaridade, a experimentação e o diálogo com o pensamento contemporâneo, Pathos “é uma viagem à Grécia que nunca chegou a terminar”. De certa forma, é a partir da convocação de um início, da lembrança de uma ideia de humanidade, a da Grécia Antiga enquanto berço da civilização ocidental, da democracia, da filosofia e do teatro, que os criadores, céticos face ao nó cego civilizacional a que chegamos, medem o pulso do nosso tempo. Perante o fundamentalismo e a intolerância crescentes e o esvaziamento da esperança nos sinais políticos e ambientais, desse questionamento fica a ideia trágica de um mundo em construção que transporta em si a profecia do seu próprio fim. Pathos é assim “uma ruína, um espetáculo-ruína”, uma tragédia. Mas, tal como face a uma tragédia grega – qual lago de águas paradas que nos desafia a nele lançar uma pedra que o anime –, também Pathos se faz de um desejo de ação e de drama, da “junção de um lago perfeito com a nossa vontade de o agitar”, já que não há pathos senão na mobilidade e na imperfeição. Nesse sentido, “Pathos é também um salto de fé”.