Novo capítulo da conversa inacabada que João Sousa Cardoso vem mantendo com os textos de Álvaro Lapa, artista que nos legou uma obra onde a pintura e a escrita se cruzam, numa errância venturosa. Conversa que o TNSJ vem promovendo e acompanhando desde 2012, ano da estreia de Raso Como o Chão, tendo ainda apresentado Barulheira, em 2015. Agora, o encenador e artista visual parte de Sequências Narrativas Completas (1994), o derradeiro e mais radical texto de Lapa, habitado por personagens do seu universo que sempre voltam na pintura, no desenho ou na escrita. E onde a linguagem se volve em material físico, visual e sonoro puro, num diálogo fraterno com a vertigem e a polifonia de Finnegans Wake, de James Joyce. Algures entre o teatro e a conferência, o espetáculo cruza a dramatização do texto, o monólogo interior, o relato diarístico e o ensaio sobre a vida íntima, doméstica e pública portuguesas, no encalço da revolução e da democracia. Mas, havendo Álvaro Lapa sido professor de João Sousa Cardoso, Sequências Narrativas Completas também é a atualização de um diálogo entre o antigo estudante e o velho mestre, ou entre dois artistas confidenciais ou, ainda, uma conversa do vivo com o fantasma tornado presente.