No dia seguinte à estreia de O Príncipe de Homburgo – última peça de Heinrich von Kleist, concluída há precisamente 200 anos –, o TNSJ promove uma mesa-redonda sobre Kleist, a sua obra ensaística, ficcional e dramática, e os desafios que esta continuamente lança àqueles que se dispõem a traduzi-la e encená-la. Nesta iniciativa que toma de empréstimo um verso de O Príncipe de Homburgo (o que são a tradução e a encenação senão tentativas de fixar e dar corpo a uma realidade outra?), os professores e tradutores José Miranda Justo e Claudia J. Fisher abordam Sobre o Teatro de Marionetas e Outros Escritos, obra recentemente traduzida e editada pela Antígona; Teresa Seruya recorda dificuldades específicas experimentadas no processo de tradução de uma novela de Kleist (O Duelo); e a escritora Luísa Costa Gomes explicita as opções de fundo da sua tradução de O Príncipe de Homburgo, expondo a concretude e a fisicalidade que caracterizam a linguagem do dramaturgo alemão. Por fim, Luísa Costa Gomes descreve o teatro de relações, fundamentado na contracena, que encontrou na peça derradeira de Kleist, e o seu processo de encenação, forma última de corporizar a realidade sonhada do texto dramático.
