Quinze anos depois de Pioravante Marche de Samuel Beckett (2003), a coreógrafa Joana Providência regressa à programação do TNSJ com Rumor, espetáculo que se inscreve num ciclo de criações que têm como referentes obras de artistas plásticos contemporâneos. Relembremos Mão na Boca (2004), onde evocou o universo ficcional de Paula Rego, ou Terra Quente Terra Fria (2011), onde visitou a pintura de Graça Morais. Agora, parte da obra do pintor, escultor, fotógrafo e realizador francês Christian Boltanski, génio multiforme que vem construindo um universo criativo centrado na sua vida pessoal (real e ficcionada), trabalhando temas como a infância, a morte e o esquecimento. É dele esta frase lapidar: “Somos importantes, porque somos únicos, mas ao mesmo tempo somos facilmente esquecidos.” Rumor propõe-nos uma viagem pela memória e pela identidade, pelas “pequenas histórias” que há dentro da História. Ao sondar as relações entre a experiência íntima e o devir coletivo, Rumor procura ainda, nos registos e testemunhos de presos políticos portugueses, encontrar um reflexo vivo do contexto social e político de uma ditadura.
