O Ensemble regressa a Frei Luís de Sousa, uma obra política que sonda uma psicopátria, a nossa, obcecada com o passado e com a culpa, mas também um melodrama familiar, íntimo e delicado como poucos. Madalena (2013), o espetáculo que inaugurou esta relação, incidia sobre D. Madalena de Vilhena, epicentro de todos os temores que assombram a obra-prima de Almeida Garrett. Maria coloca-nos sob a influência de Maria de Noronha, uma rapariga que “compreende tudo”, personagem trágica que morre de “vergonha”, alienada pela febre, culpada de não ter culpa. Se Madalena traçava uma tangente ao formato de concerto rock, Maria arrisca uma incursão no território da dança, promovendo o encontro de bailarinos do Real Conservatorio Profesional de Danza “Mariemma” – uma centenária e vanguardista instituição espanhola – com o músico Ricardo Pinto e os atores Emília Silvestre e Jorge Pinto. Dirigido pelo coreógrafo Pedro Berdäyes, o espetáculo chega ao Porto depois de se ter estreado em Madrid, dando corpo a uma cimeira ibérica com duas estruturas de criação artística atraídas pelo fascínio imorredoiro de Maria de Noronha. “Anda cá, Maria, conta‑me do teu jardim. Que flores tens tu agora?”
