Antes de escalarem esta Montanha-Russa, Inês Barahona e Miguel Fragata quiseram saber das palavras e das ideias dos adolescentes. Recolheram diários, letras, imagens, canções, provocaram perguntas e recolheram respostas sobre as suas vidas e visões do mundo. Montanha-Russa é uma digressão sobre a adolescência com muita música dentro. À dupla da companhia Formiga Atómica juntou-se Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves, o duo dinâmico da banda portuense Clã. Juntos, constroem um espetáculo em que o teatro e a música disputam o palco, desafiando as convenções do “teatro musical” como quem desafia as leis da gravidade num loop. Mas desafia também os lugares-comuns da adolescência, esse lugar de fronteira e de passagem que é aqui observado a partir de uma perspetiva íntima e confessional, uma dimensão secreta, privada, interior, mas que vive no desejo de ganhar um palco onde se possa exibir. Montanha-Russa é assim uma espécie de diário deixado em cima da mesa, o diário destilado nas redes sociais ou o diário perigosamente transportado para o liceu: uma intimidade a gritar “leiam-me!”, uma geração a querer fazer-se ouvir, ao som da música. Este projeto completa-se com a exibição de Canção a Meio, um filme de Maria Remédio que documenta o longo processo de criação do espetáculo, e com a festa Teen Friendly, onde não faltará muita animação para celebrar a verdadeira montanha-russa que é a adolescência.
