Em 2012, numa sala de ensaios do Teatro de Arte de Moscovo, Pascal Rambert encontrou uma atriz com quase oitenta anos, a quem pediu que refizesse uma cena, para ela memorável, de A Gaivota de Tchékhov: “Ela esperou um segundo de olhos fechados e refez a cena, sessenta anos depois de a ter representado. Tudo estava lá. No seu corpo. Na sua voz. Toda a história do teatro estava ali. E foi nesse preciso momento que nasceu TEATRO.” É a segunda vez de Rambert em Portugal, isto porque este ano já houve Atriz no palco do Teatro Nacional D. Maria II. É de lá, aliás, que nos chega TEATRO, que resultou de um convite de Tiago Rodrigues ao dramaturgo, encenador, realizador e coreógrafo francês para montar uma peça no Nacional de Lisboa. Uma peça onde cabe todo o amor pelo teatro, representada por uma trupe onde coexistem atores do elenco residente do TNDM II e atores exteriores a ele. Rambert gosta de escrever a partir da memória e do corpo e da voz dos atores. “É aí que vive a emoção”, reconhece. “TEATRO é isso: quando aqueles que o fazem viram do avesso as nossas vidas. Transformam as nossas existências.”
