Veneza e os Limites da Moralidade abre uma janela com vista para a música e para a sociedade do Renascimento italiano. Uma viagem conduzida pel’Os Músicos do Tejo, grupo de música antiga que tem como diretores artísticos Marcos Magalhães e Marta Araújo, aqui na companhia da atriz Luísa Cruz, a narradora de serviço. Época de uma imaginação conflituosa – moralidade e livre-arbítrio, religião e sensualidade, tradição e subversão de modelos –, o Renascimento encontrou na cidade de Veneza, a Sereníssima, o lugar de excelência para acolher e amplificar todas as liberdades e libertinagens. O concerto coloca em relação madrigais e outras peças para voz de compositores como Claudio Monteverdi, Orlando di Lasso, Alessandro Stradella, Cipriano de Rore, e a leitura dramatizada de textos originais da época: da lucidez de uma freira que denuncia a tirania do pai e a desprezível inferioridade dos homens (La semplicità ingannata, de Arcangela Tarabotti), passando pela lassidão de costumes de La retorica delle puttane, de Ferrante Pallavicino, até ao pornográfico e escandaloso L’Alcibiade fanciullo a scola, de Antonio Rocco.
