Depois de terem encenado Um Conto de Natal de Charles Dickens, Maria João Luís e Ricardo Neves-Neves retomam a parceria com Alice no País das Maravilhas, a partir de Lewis Carroll. “Quem sou eu?”, é a pergunta-refrão que Alice constantemente se coloca na sua travessia pela wonderland, que é não só um lugar de maravilhamento mas sobretudo um espaço de questionamento de si: “Alice é Alices.” Potenciando esta cacofonia, os encenadores propõem uma representação de Alice por “um coro heterogéneo que, através da palavra falada e cantada, assume diferentes formas, ritmos e estados de espírito”. Nas suas várias combinações sonoras e visuais, essa massa mutante de atores/cantores vai transformando o próprio espaço ao ocupá-lo de forma diversa. Em Alice no País das Maravilhas, o palco-país é um “lugar fantástico, onde impera uma lógica absurda e paralela à do nosso quotidiano”. Um lugar de metamorfose, desviante de normas e de modelos de discurso, regido pela linguagem e espírito do nonsense: um espaço de liberdade e de procura da identidade.
