Num tempo em que assistimos à iminência de novos radicalismos, Paulo Castro regressa ao teatro político – que tem marcado o seu percurso – com Coros Para Depois dos Assassinatos, peça de Edward Bond. Nela, o dramaturgo britânico imagina um mundo de violência por vir, resultado de uma escalada do domínio militar. Os sintomas dessa sociedade militarizada, opressiva e devastadora das liberdades humanas podem agora ser revisitados em Hello My Name Is, um espetáculo para um homem só, interpretado por Rashidi Edward. O ator, natural do Congo e tendo vivido algum tempo em Moçambique e no Ruanda, veste a pele de um homem que assume múltiplos papéis: ele tanto é a pessoa que faz luto por alguém que foi assassinado como, logo a seguir, o militar que dispara a matar. Usando a linguagem poética de Edward Bond, Paulo Castro e Rashidi Edward chamam a atenção para o lugar que cada um ocupa nas dinâmicas de jogos de poder tirânicos, de que a história recente das ex-colónias portuguesas é apenas um exemplo. Hello My Name Is marca o regresso a Portugal de Paulo Castro, criador radical e disruptivo que fundou em 2002, com a bailarina Jo Stone, a companhia Stone/Castro, fazendo de Adelaide (Austrália) a sua sede de trabalho desde 2006.
