Um Encontro Provocado começa por ser o que o título indica numa primeira leitura, um repto lançado pela Companhia Paulo Ribeiro a quatro bailarinos portugueses e a um coreógrafo brasileiro, Henrique Rodovalho, responsável também pela cenografia e desenho de luz deste espetáculo. Mas através do que nele há de provocador na peculiar comunicação entre corpos e movimento exprimem-se aspetos, níveis e questões de género inerentes à presença transversal da violência como sentimento humano, violência no e do ser, no e do mundo. Em Um Encontro Provocado, quatro bailarinos expõem-se e confrontam-se nas suas diferenças, num espaço cénico mutável, qual tapete de luta livre. Peça política, também no sentido de “provocar” no espectador uma reflexão sobre as várias formas de violência, em Um Encontro Provocado ensaia-se uma harmonia possível. Nessa tentativa, revelam-se momentos de delicada sensibilidade e beleza plástica, instantes de “quase pura poesia”.
