A coreógrafa brasileira Lia Rodrigues, figura de referência da dança sul-americana, acredita na sinergia entre arte e evolução social, desenvolvendo o seu trabalho na favela da Maré, no Rio de Janeiro, em parceria com a Redes da Maré. Em Fúria, a sua mais recente criação, um grupo de nove bailarinos é moldado enquanto corpo (social), exprimindo-se em variações solitárias, composições em grupo ou em desassossego de turba. O palco torna-se um mundo de f(r)icção em constante mutação, “um mundo de fúria tumultuado por questões sem resposta”, contrastes e paradoxos. Obra de grande poder expressivo, militante na forma como pensa e trabalha a alteridade, Fúria move-se na fronteira entre dança, performance, instalação e ritual, instigando tanto o imaginário como a consciência do espectador, entre a fulguração poética e a comoção política.
