Numa altura em que a obra de José de Almada Negreiros é alvo de um novo balanço, o TNSJ traz de volta al mada nada, esse lado b que Ricardo Pais inventou para o quintessencial Turismo Infinito. Se o espetáculo criado sobre textos de Pessoa figurava uma mente plural, al mada nada celebra a sensualidade, a cor, o movimento, coisas que Almada viveu apaixonadamente. Partindo sobretudo de Saltimbancos – texto único da nossa literatura, obsessivamente físico e sexual, que ocasionou a apreensão da agora centenária Portugal Futurista –, a criação de Ricardo Pais põe a girar, au ralenti ou em altíssima rotação, um caleidoscópio português em que se imbricam um quartel e um circo indigente, homens-cavalo, arraiais de verão, dramas de namorados, memórias de uma semi-imaginária Emissora Nacional, um sol a pique e um luar de acetileno… Contrastes simultâneos a que o ator Pedro Almendra, o percussionista Rui Silva e a Momentum Crew – um grupo de b-boys premiado internacionalmente – dão corpo, fazendo do palco uma arena de combate, mas também o lugar de um inesperado recolhimento.