Na génese de Impro Sharana mora uma jubilosa possibilidade de tradução simultânea. Ela fala silenciosamente com o corpo. Ele improvisa uma banda sonora imaginária para esse corpo em movimento. Ele é Ferran Savall, guitarrista e cantor de origem catalã, cultor de música improvisada e frequentador das músicas do mundo. Ela é Shantala Shivalingappa, bailarina nascida no Sul da Índia mas criada no coração da Europa, alguém que cresceu com os rigores e os esplendores do “kuchipudi”, um estilo de dança clássica indiana, mas que tem vindo a trabalhar com alguns dos nomes fundamentais das artes performativas ocidentais, como Maurice Béjart, Peter Brook, Pina Bausch ou Sidi Larbi Cherkaoui. Na companhia de quatro músicos de várias latitudes geográficas, Ferran e Shantala encontram-se neste concerto coreografado que acontece no interior de uma cenografia que recria uma íntima e acolhedora sala de estar. Mais do que um encontro de culturas e de tempos – o ocidente e o oriente, o ancestral e o contemporâneo –, Impro Sharana é um encontro de amigos que decorre sob os bons auspícios de Shiva, o deus hindu da dança e do movimento…