Peça do dramaturgo francês Rémi De Vos, Ocidente disseca até ao osso o drama de um casal em decomposição. Concentrando-se na célula matricial da nossa sociedade – o casal, a família –, e tomando-a como um microcosmos daquilo que nos habituámos a designar por “Ocidente”, este texto de 2005 evoca pequenas misérias humanas, devaneios do quotidiano, esperanças perdidas. O coreógrafo Victor Hugo Pontes, de quem há um ano estreámos Zoo – espetáculo de dança que fazia do teatro um jardim zoológico –, encena agora uma batalha de vida e morte entre dois seres perdidos e entrincheirados, que revelam uma necessidade absoluta, quase animal, de triunfar sobre o outro. Maria do Céu Ribeiro e Pedro Frias dão corpo e voz à arte do diálogo de Rémi De Vos, mecânica de uma precisão implacável da qual o riso não está ausente. Descida aos infernos de um homem que desliza lentamente para o extremismo, Ocidente oferece a Victor Hugo Pontes uma oportunidade para se centrar no trabalho de ator e investir na pesquisa sobre a palavra e a sua – tantas vezes perturbadora – força emocional.