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Exactamente Antunes 1
Exactamente Antunes Exactamente Antunes
Teatro Nacional São João 17 Mar-17 Abr 2011
quarta-feira a sábado 21:30 domingo 16:00

“Nós não somos do século de inventar as palavras. As palavras já foram inventadas. Nós somos do século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas.” Com Exactamente Antunes, é como se Jacinto Lucas Pires – concitado por Nuno Carinhas – respondesse ao apelo de Almada Negreiros, desencaminhando-lhe Nome de Guerra para a cena. Obra de uma prodigiosa frescura e ingenuidade, o romance instala-nos no percurso (ou carrossel) iniciático de Antunes, provinciano sacudido pelos acasos da sorte na grande cidade, que, entre o clube nocturno e o quarto de hotel, acumula a experiência bastante para concluir que… nenhum saber resulta da acumulação de experiência. Partilhando com Almada o prazer dos paradoxos e a lúdica reinvenção da linguagem, Jacinto Lucas Pires explora a teatralidade que informa este “espectáculo de um homem em luta livre consigo mesmo”, ora pirandellizando-o – por lá irrompe, em futurista fato-macaco, o Autor em busca da sua personagem –, ora brechtianizando-o, ao projectar em cena títulos de capítulos e outras sentenças, irónicas e desconcertantes. Nuno Carinhas assume, enquanto cenógrafo e figurinista, o papel de tridimensionar esta “obra-prima de desenho”, como lhe chamou David Mourão-Ferreira. A encenação, partilha-a com Cristina Carvalhal, num gesto de celebração do génio de Almada, para quem o teatro é “o escaparate de todas as artes”.

Antunes quer tornar-se no que é, mas não sabe como. A história de um homem de brandos costumes que se apaixona-ou-qualquer-coisa por uma mulher da vida com um nome falso –... ler mais

de

Jacinto Lucas Pires

a partir de

"Nome de Guerra", de Almada Negreiros

encenação

Cristina Carvalhal, Nuno Carinhas

cenografia e figurinos

Nuno Carinhas

desenho de luz

Nuno Meira

desenho de som

Francisco Leal

preparação vocal e elocução

João Henriques

interpretação

Joana Carvalho, João Castro, Jorge Mota, José Eduardo Silva, Lígia Roque, Mané Carvalho, Paulo Freixinho, Paulo Moura Lopes

produção

TNSJ

duração aproximada

1:30

classificação etária

M/12 anos

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Exactamente Antunes

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ODISSEIA

Equivalente ao tamanho de uma ampla nau de carga
torneada por um homem entendedor de carpintaria
era a ampla jangada que Ulisses construiu. Montou a coberta
com vigas perto umas das outras; e terminou a construção
da jangada revestindo‑a com tábuas compridas.
Em seguida fez o mastro e uma verga que se lhe ajustava;
fez ainda um leme, com que pudesse dirigir a jangada.
Uma protecção fabricou com vimes entrelaçados,
como defesa contra as ondas; e no fundo espalhou caruma.
Entretanto veio trazer‑lhe vestes Calipso, divina entre as deusas,
para que delas fizesse as velas – e fê‑las com arte.
Atou os braços, as driças e as escotas; e com alavancas
conseguiu arrastar a jangada para o mar divino.

Sobreveio o quatro dia e já tudo estava pronto.
No quinto dia, Calipso mandou‑o embora da ilha,
depois de lhe dar banho e de o vestir com roupas perfumadas.
Na jangada colocou a deusa um odre de escuro vinho;
e outro, um odre grande, de água. Num alforge de pele
pôs comida e muitas coisas que alegram o coração.
Fez soprar um vento suave e sem perigo; e a esse vento,
com grande regozijo, Ulisses desfraldou as velas.

HomeroOdisseia. Tradução de Frederico Lourenço. Lisboa: Cotovia, 2003. p. 98.

Programa completo Projecto ODISSEIA