Mendoza nasceu no contexto de um projeto – Salas de Urgência – desenvolvido entre 2007 e 2013 em vários bairros da Cidade do México. Um laboratório de criação cénica que promoveu ensaios abertos de espetáculos em espaços não-convencionais (casas, pátios, praças, cantinas), convertendo-se num poderoso instrumento de conquista de novos públicos e lugares para a fruição teatral. Mendoza conta-nos uma história de ambição, sangue e poder que nos soa vagamente familiar: a saga do general José Mendoza, que decide matar o seu superior hierárquico, instigado por uma velha curandeira e pela mulher dele. Onde se lê Mendoza poderia ler-se Macbeth, o clássico de Shakespeare que é aqui adaptado para o contexto da revolução mexicana de 1910. O encenador Juan Carrillo e a jovem companhia mexicana Los Colochos Teatro dão-no a ver num palco quase despido, rodeado de público por todos os lados. Os atores permanecem em cena durante todo o espetáculo, bebem cerveja e falam numa língua a um tempo poética, popular, quotidiana, numa palavra: contemporânea. Ao situar Shakespeare numa moldura histórica com mais de cem anos, Mendoza comete a proeza de nunca deixar de nos falar do México cru e violento dos nossos dias.
