Sim, o cinema e a morte, o luto e a melancolia, o thriller e o film noir passeiam-se em volta do teatro mais recente da dramaturga e encenadora Marta Freitas, num jogo perverso de desvios e aproximações, suores frios e humores negros. No início deste ano, Luto Embalsamado colocava em cena, ou em suspensão (que é uma palavra vizinha de suspense), um casal de taxidermistas, e a taxidermia era aqui uma espécie de terapia ocupacional para atenuar a dor por uma perda. Agora, A Despedida retoma em estreia absoluta alguns destes temas ou ecos, a começar pela centralidade de um par, dois irmãos, o mais velho a ensinar o mais novo a enfrentar o silêncio dos mortos e o frio da terra. A Despedida começa num cemitério, numa noite tempestuosa e a preto-e-branco, como no cinema, com os dois irmãos vestidos de jogadores de vólei a aproximarem-se de uma campa. Aqui chegados, iniciam então um ritual de despedida que é também uma aprendizagem para a morte, numa viagem com paragens nesse país distante a que chamamos infância.
