O espectáculo Madame (2000), o ciclo sobre o imenso Brasil teatral chamado Portugofonia (2004) e o recente projecto músico-cénico Caixa da Música, do compositor Arrigo Barnabé (2008), são alguns dos capítulos do romance histórico que o TNSJ vem, a espaços, na última década, escrevendo com o Brasil. No centro dessa obra aberta está a intransigência da defesa da língua portuguesa e a apaixonante aventura da plasticidade dos seus acentos. A apresentação de Turismo Infinito em São Paulo é, pois, bem mais do que uma indispensável etapa da digressão internacional do espectáculo assinado pela dupla António M. Feijó/Ricardo Pais – é também a celebração do palco como “sofisticado amplificador” da língua viva. Viagem ao interior dessa caixa negra – ou “porto infinito”, ou “escritório vasto” – que é a mente de Fernando Pessoa, Turismo Infinito revela-se como a ocasião de excelência para Ricardo Pais experimentar a performatividade da(s) escrita(s) do(s) poeta(s), tecendo um subtil enredo cénico de gestos e sinais. Espectáculo cuja austeridade e rigor têm gerado dentro e fora de portas um magnetismo incomum, Turismo Infinito põe-nos em contacto com a obra de um homem que, de modo heróico, pretendeu – e conseguiu – “introduzir beleza no mundo”.
A cabeça viajante de Pessoa na mão hipnótica de Ricardo Pais. […] A sensação alienígena que o encenador explora, cirurgicamente, favorece a interiorização, por vezes hipnótica, daquilo que mais...
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A cabeça viajante de Pessoa na mão hipnótica de Ricardo Pais. […] A sensação alienígena que o encenador explora, cirurgicamente, favorece a interiorização, por vezes hipnótica, daquilo que mais fez de Pessoa pessoa: a palavra. […] Pela forma como deposita a paixão poética, a sapiência teatral e a identidade artística ao serviço de um claríssimo desejo de comunicação, Ricardo Pais merece que o seu espectáculo seja elevado a exemplo de como se cativa público para o que todos consideramos serem as referências fundamentais da nossa cultura.
Marcos Cruz
Excerto de “A cabeça viajante de Pessoa na mão hipnótica de Ricardo Pais”. Diário de Notícias (7 Dez. 2007).
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Teatro em grande. […] Um prodigioso texto de Fernando Pessoa magistralmente dirigido por Ricardo Pais. São momentos assim que nos enchem de orgulho em relação à cultura portuguesa, e de confiança...
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Teatro em grande. […] Um prodigioso texto de Fernando Pessoa magistralmente dirigido por Ricardo Pais. São momentos assim que nos enchem de orgulho em relação à cultura portuguesa, e de confiança nas suas potencialidades.
Manuel Maria Carrilho
Excerto de “A oportunidade”. Diário de Notícias (12 Jan. 2008).
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Turismo Infinito não é um recital de poesia e, no entanto, revela em todo o seu esplendor a arte poética de Pessoa e seus heterónimos. Não se abre ao confronto entre personagens e, todavia,...
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Turismo Infinito não é um recital de poesia e, no entanto, revela em todo o seu esplendor a arte poética de Pessoa e seus heterónimos. Não se abre ao confronto entre personagens e, todavia, há um ritmo, uma tensão dramática, uma perturbadora eminência de conflito. Não se articula a partir de um enredo e, contudo, vivem-se ali múltiplos desencontros de personalidades. Não acontece nada ao longo daquela hora e meia de espectáculo e, no entanto, essa é uma das maiores mistificações do trabalho desenvolvido por Ricardo Pais, António M. Feijó e os actores. Porque, afinal, tudo acontece, e aquele nada aparente transforma-se numa inesquecível experiência estética.
Valdemar Cruz
Excerto de “Pessoa em si”. Expresso (8 Dez. 2007).
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