O humor grassa nesta quinta edição de MUSICAL-MENTE. Circula livre, manifesto ou subtil, pelos Humores de Câmara , a segunda parte do ciclo, que inclui peças cujo desenho convoca um trio íntimo de instrumentos. Em Three Funny Pieces, o compositor soviético e russo Rodion Shchedrin exercita uma das vertentes da sua prolífica obra, o amor pela paródia e pela ironia. Já o Trio de Haydn revela uma grande amplitude expressiva: é espirituoso e cheio de surpresas nos seus três andamentos. Do irreverente Satie, fruímos a efervescência lúdica de Três Peças em forma de pera, na verdade, sete curtas peças escritas em resposta a uma crítica de Debussy às suas obras quanto à … carência de forma. Originalmente para piano a quatro mãos, são interpretadas neste concerto numa nova versão para Trio, de Carlos Azevedo, em estreia absoluta. Pelo lirismo e devaneio virtuoso da obra de Mendelssohn perpassam uma energia e força anímicas de proporções quase orquestrais, demonstrando o poder inusitado de um trio de câmara. É pela fluidez e equilíbrio das suas polaridades que a peça do compositor alemão atinge a sua naturalidade, eficácia e virtude. Como num bom sketch humorístico, afinal.