Apol铆neo e dionis铆aco

NUNO M CARDOSO*

Regressado da travessia do Atl芒ntico e ainda a recuperar da montagem, ensaio, promo莽茫o e estreia do Turismo Infinito em terras de Vera Cruz e da insaci谩vel e perigosa explora莽茫o da cidade de S茫o Paulo, aterro num ininterrupto Dancem! de exce莽茫o. E a fechar o festival, em ouro absoluto, Orph茅e et Eurydice de Marie Chouinard, com os seus faunos de uma beleza er贸tica nas formas e na puls茫o sexual dos corpos esbeltos e dourados em movimentos animais, figuras mitol贸gicas que habitam ainda a minha mem贸ria. Uma manifesta莽茫o de liberdade e de perda, porque tamb茅m desejo, que suplanta qualquer emancipa莽茫o do espectador. Esta manifesta莽茫o de irrealidade, imagina莽茫o e beleza ultrapassa Eros e Thanatos. Ultrapassa, na liberdade, a morte de Eur铆dice, a quem Orfeu tenta salvar; e no desejo, porque a perde olhando para tr谩s, obedecendo ao destino tra莽ado para o her贸i.

脡 esse gesto que se pode ainda pressentir nas sombras douradas de Lulu 鈥 figura da liberdade e por isso da morte tamb茅m 鈥 e nas escadarias para a descida aos infernos, apresentada anos mais tarde no mesmo local, que tive o prazer e o privil茅gio de dirigir. Mais do que o mito ou a mem贸ria, a liberdade da cria莽茫o e a entrega de quem a faz em prazer.

*Encenador.

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10-12 Julho 2009
Teatro Carlos Alberto

Orph茅e et Eurydice

coreografia Marie Chouinard
produ莽茫o Compagnie Marie Chouinard | Ciclo Dancem!09

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in O Elogio do Espectador: 100 espet谩culos, 100 testemunhos, 100 fotografias Cadernos do Centen谩rio | 1

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fotografia Michael Slobodian